O telefone vibra na mesa, virado pra baixo. Você sabe sem olhar: ou é o fornecedor perguntando o que já foi respondido, ou é o diretor querendo um número que você já mandou — em algum e-mail, de alguma quinta-feira.
Você não tem mais vinte minutos pra mais um call. E o seu trabalho não é o fio solto que fez o telefone tocar — é a decisão. O dia inteiro conspira pra você não ter tempo de tomá-la.
Ele parece agenda: a reunião que existe pra realinhar o que já estava alinhado. O briefing contado de novo, do zero, pra cada fornecedor. O valor revisado em cima da hora — sem rastro de quem pediu, quando, por quê. A planilha que só você entende. O WhatsApp que virou sistema.
E no centro disso, o ativo mais valioso e mais menosprezado da operação inteira: o seu tempo. Todo mundo trata como se fosse grátis. Cada “rapidinho” custa vinte minutos. Cada informação espalhada custa uma ligação. Você virou a fonte única do evento — o sistema é a sua memória, e o servidor é o seu telefone.
A tabela onde cada linha diz o que é, quem entrega, quando, por quanto. E cada interligação dela mata uma interrupção:
Cada um opera do seu jeito: tem quem acompanhe a montagem de perto, tem quem tenha no pavilhão alguém de confiança. O sistema não muda o seu jeito de operar — devolve as horas que o caos tomava.
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